domingo, 30 de dezembro de 2012

Campanha publicitária exclui modelos negros mesmo falando sobre África!

Por Jonathan José Alves Ribeiro

Vamos problematizar a publicidade brasileira
Campanha publicitária exclui modelos negros mesmo falando sobre África.
http://www.wmccann.com.br/index.php/wmccann-cria-campanha-para-nova-colecao-de-esmaltes-colorama/
Fico refletindo sobre esse comercial produzido por essa empresa publicitária. Vivemos em um país onde por décadas o Movimento Negro, vem tentando introduzir uma imagem negra/prpeta e fora de esteríotipos racistas na publicidade brasileira. Ora invisiblizados, ora ridicularizados, sabemos que pelo último censo boa parte da população brasileira se declara não branca, mas geralmente essa população negra e mestiça sempre é subrepresentada.
Todos sabemos que a maior parte da população do continente africano é negra, embora alguns utilizem o termo preto, essa população vem em diferentes tonalidades, um exemplo são os sudaneses comparados aos somalis, temos população não brancas até na Asia, a diversidade existe dentro do continente africano, a própria África do norte, chamada por muitos de África branca, possui população negra e mestiça, resumindo a maioria do continente africano é negro, se formos juntar todo o continente, da África.
Podem argumentar que existem brancos lá, mas a maioria da população do continente é negra. Sempre que no Brasil pensamos no continente pensaremos em povos pretos.
Sabendo do histórico de invisiblização negra no Brasil, a colorama junto com essa empresa ao produzir o comercial  África poderia ter explorado a imagem de uma modelo negra, pois vi referências da África tradicional na roupa da modelo, fizeram um comercial pra lançar uma linha África, onde não tinha nenhuma negra no comercial, não vi nenhuma mulher com tais atributos e sim um casal branco e em outra cena ela e as amigas também brancas, um comercial que utliza o continente africano como inspiração e não é capaz de convidar uma negra pra participar, sabendo das dificuldades das modelos negras no mundo da moda brasileira.
Modelos negras sofrem invisiblidade no mercado da moda brasileira e quando fazem um comercial África esquecem delas. Tops negras não possuem o direito de representarvnem o continente africano?



As agências brasileiras e residentes no Brasil devem lutar pra que a diversidade, tão propagada no Brasil, seja fielmente representada, não adianta nada falarmos de democracia racial, se as populações socialmente vistas como não brancas, estão subrepresentada. Nos Estados Unidos, país da segregação, vemos negros em publicidades, quer um exemplo lá temos diversos apresentadores negros, conte quantos temos na tv aberta brasileira, principalmente a globo a mais famosa delas.
Outro dado interessante foi o remetimento do continente africano a selvageria,. Por acaso só existem florestas e homens tribais? Até o conceito do que é selvagem deve ser questionado, pois vivemos em um mundo onde o padrão de mundo é determinado pelo mundo euro-norte-americano, dentro do continente africano, antes do periodo colonial, existiram diversas civilizações, o Egito antigo foi uma delas, cujo o verdadeiro nome é Kemet.  Tivemos os povos do reino do kongo, milhões de grupos etnicos com suas ricas culturas, o reino do mali cujo era um reino onde o rei foi considerado o homem mais rico, tivemos a civilização de kush...
E outra critica. Qual é a função do macaco no comercial?

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Desrespeito! Anúncio de venda de escravos no Mercado Livre.

Um absurdo o que está acontecendo agora na internet. O anúncio expirou em 24 de novembro, mas é preciso denunciar este internauta inescrupuloso!
Se for brincadeira, é de muito mal gosto e configura-se como crime, de ódio e tráfico de pessoas.
Como é possível que o Mercado Livre, tão conceituado pelos negócios feitos de pessoa a pessoa, tenha permitido este tipo de anúncio, tráfico de pessoa on line.

Temos que ficar atentos a esta falta de respeito para com os afrodescendentes e todo o povo sofrido e também exigir que estes sites sejam mais rigorosos no que fazem.
Há que se ter respeito com outro ser humano como se tem consigo mesmo, se as pessoas não se respeitam, não servem para o convívio em sociedade. Temos uma Carta Magna, a Constituição que rege estes princiipios de igualdade.


"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:



XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;"


Por isso mesmo, este tipo de postagem, seja onde for precisa ser denunciado, seu publicante devidamente punido para que haja respeito a todo e qualquer ser humano.

Copie o link da página e denuncie:
 http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-450715862-vendo-escravos-_JM

E no twitter:
https://twitter.com/buscaml/status/273105665621389313

Denunciem ao Safernet que investiga crimes on line www.safernet.org.br
Denunciem para a Polícia Federal pelo www.denuncia.pf.gov.br

É uma falta de respeito total, uma provocação em pleno mês da Consciência Negra.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Carta aberta da Campanha Contra o Genocídio da Juventude Negra

Nós, representantes da sociedade civil organizada, cidadãos e cidadãs que vivenciam os resultados nefastos da atual política pública de segurança, manifestamos nossa profunda rejeição à atuação violenta e criminosa dos agentes de segurança no estado, em especial, na região Metropolitana de São Paulo, que tem sido dirigida aos jovens negros e pobres. A atual política estadual tem sido justificada a partir da noção equivocada de ‘guerra contra o crime’, que estereotipa e persegue segmentos excluídos e marginalizados da população, elegendo-os como inimigos e jogando em seus ombros a culpa pela violência. Com um discurso baseado no preconceito, oferece um tratamento dirigido ao cidadão rico e branco e outro para cidadão pobre e negro, selecionando aqueles que serão punidos e aqueles que poderão agir sem a devida regulação da lei ou até com a sua absoluta conivência. A maior parte da população não acredita mais na sua polícia. Segundo pesquisa recente do Ibope/Rede Nossa São Paulo, 55% dos habitantes paulistanos não confiam na polícia civil e militar. 52% não confiam na Guarda Civil Metropolitana de São Paulo. No entanto os governos entregam a esses profissionais armais letais e não letais, que, ao invés de proteger, se voltam contra a população. Somos todos reféns não apenas de maus policiais, mas daqueles que, ao ocupar os postos de comando, determinam e respondem por uma política pública genocida.

Com números muito superiores ao Massacre do Carandiru, o assassinato de jovens nos últimos anos tem sido sistemático e incide, em especial, sobre uma etnia específica: a negra. Segundo o Mapa da Violência 2011, o número de homicídios contra jovens brancos caiu 30% nos últimos anos, enquanto cresceu 13% o percentual de jovens negros assassinados. A participação policial no número de mortes vem crescendo – no primeiro trimestre de 2012 a polícia foi responsável por nada menos do que 20% dos homicídios da capital. O termo genocídio é, portanto, o que melhor define a situação. Escondidos atrás do policial que coloca sua vida em risco, os verdadeiros responsáveis insistem em negar denúncias e números assustadores, vindo a público afirmar que a situação está “sob controle” e que existem somente “problemas pontuais”. Tentam mal disfarçar que o grave problema da violência policial e do encarceiramento em massa é resultado direto de uma política de segurança pública que incita os agentes de segurança a agir de forma brutal e preconceituosa, desconsiderando os direitos constitucionais e as bases da cidadania brasileira. Enquanto especialistas dentro e fora do Brasil apontam o modelo da polícia comunitária e investigativa como os mais eficientes para promover o direito à vida segura, ainda vivemos com uma polícia que investe no policiamento ostensivo, baseado na intimidação e que defende a propriedade e não o indivíduo. Os números mostram os resultados do modelo adotado:
• 2.262 pessoas foram mortas em supostos confrontos com a polícia entre 2006 e 2010. São mais de 450 mortes a cada ano, sendo que 170 pessoas foram mortas no primeiro semestre de 2012.
• 77,3% das vítimas de intervenção legal são jovens entre 15 e 29 anos de idade, sendo 54% negros (pretos e pardos).
• 93% de casos de morte por policiais na cidade de São Paulo acontece nas periferias.
• A juventude entre 18 a 29 anos representa 56% dos presos no Brasil, a maior parte com menos de 24 anos. 65% da população carcerária é negra.
• De um universo de 174 mil detentos no Estado de São Paulo, 57,7 mil estão privados de liberdade e ainda não foram sequer julgados. São, em média, 2.700 pessoas entrando no sistema carcerário a cada mês, que possui hoje mais de 180 mil pessoas.

Diante deste quadro, por sermos parte de um Estado Democrático de Direito no qual temos os nossos direitos resguardados pela Constituição Federal, chamamos a sociedade brasileira e paulista para que se mobilize, CONTRA O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA. Não aceitamos a violência promovida pelo Estado! Queremos que a atual gestão do Governo do Estado de São Paulo, juntamente com sua Secretária de Segurança Publica e Prefeituras dos municípios paulistas assumam suas responsabilidades e o velho discurso do “uso político” seja trocado pela disposição de pôr fim imediatamente a essa grave realidade com ações concretas e eficazes. Que o poder legislativo elabore e aprove leis que contribuam para brecar a criminalização da pobreza e a impunidade dentro das polícias. Estamos unidos, cientes de nosso importante papel político, e apresentamos aqui as seguintes reivindicações:

1. Implementar uma política de segurança pública condizente com o Estado Democrático de Direito, com respeito às bases da cidadania brasileira, ao invés da política de “guerra ao crime”, ineficiente e violenta.
a) Desmilitarização das polícias, de acordo com recomendação de organismos internacionais e especialistas em segurança pública, de acordo com a recomendação dada por países membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
b) Constitutir, no âmbito estadual, um Grupo de Trabalho (GT), com a participação do Condepe, Ministério Público Federal e Estadual, Defensoria Pública, que possibilite a ampla participação da sociedade civil com o objetivo de elaborar um Plano de Enfrentamento da Polícia Violenta, visando, sobretudo, reduzir as taxas de mortalidade por decorrência de ação policial em São Paulo.
c) Investir na investigação policial e modelos de policiamento comunitário - ao invés de priorizar o policiamento ostensivo - e ampliar, de forma significativa, os índices de apuração de homicídios, reduzindo o percentual de casos arquivados, hoje acima dos 70%.
d) O policial réu em caso de homicídio, por precaução e proteção social, em respeito aos interesses públicos, deve ser imediatamente afastado do policiamento nas ruas, sendo-lhe terminantemente vedada a ocupação de cargo de confiança ou de comando das polícias.
f) Fim da Ronda Tobias de Aguiar - ROTA, cuja criação se deu sob o nome “Batalhão de Caçadores”, que acumula um longo histórico de arbitrariedade e execuções sumárias.
2. Combater o racismo e a vitimização da população jovem, negra e pobre.
a) Que o “Plano de Enfrentamento a Mortalidade da Juventude Negra”, que se encontra em processo de elaboração no âmbito federal, seja discutido e incorporado pelos governos municipais e pelo Estado de São Paulo assim que oficializado, e que seja debatido, de forma democrática com a população e os movimentos e organismos de defesa dos Direitos Humanos, o planejamento de execução do Plano no território paulista.
b) Qualificar e intensificar formações sobre racismo, relações étnico-raciais e de direitos humanos para as polícias, que devem passar a contar, necessariamente, com a participação de especialistas e representantes da sociedade civil com trabalho reconhecido na área, como conselheiros do CONDEPE-SP, defensores públicos e membros do Movimento Nacional de Direitos Humanos.
3. Combater a impunidade do mau policial e ampliar o controle social sobre a política pública de segurança.
a) Criação de um órgão paritário (governo e sociedade civil), de forma a possibilitar a participação social na construção das políticas públicas de segurança.
b) Deve-se reconhecer a inexistência do tipo penal classificado como “resistência seguida de morte”, impossibilitando, portanto, a inserção desta classificação nos boletins de ocorrência lavrados, utilizando-se a categorização correta, “homicídio”.
c) Os processos judiciais envolvendo policiais não podem mais ter como única testemunhas os próprios policiais – hoje esse número gira em torno de 77% do total de casos, segundo pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência.
d) Implantar uma Ouvidoria Policial Externa.
e) Promover a independência do Instituto Médico Legal (IML) das polícias.
f) As Polícias devem investir em dispositivos que garantam que os Procedimentos Operacionais Padrão sejam tornados públicos, com fácil acesso à população, inclusive por meio de portais online.
4. A política pública de segurança e sistema de justiça devem combater o encarceramento em massa, baseado no preconceito e uso do poder contra populações excluídas e marginalizadas pelo sistema político-econômico (pobres, jovens e negros), e utilizar modelos mais eficientes de enfrentamento da criminalidade.
a) Aprovação, pelo Legislativo Federal, do anteprojeto elaborado por comissão de juristas, que se transformou no PLS 236/2012, descriminalizando o porte e o uso de drogas para consumo.
b) Revisão da Lei Nacional Antidrogas (nº 11.343/2006), estabelecendo critérios objetivos para distinguir o usuário e o traficante de drogas, considerando o uso discriminatório da sua aplicação hoje.
c) Dar efetividade à Lei Federal nº 12.403/11, que prevê a adoção de medidas cautelares como alternativa à prisão e ampliar a aplicação da justiça restaurativa.
5. Enfrentar a criminalização dos adolescentes pobres, exigindo-se o respeito aos seus direitos de acordo com o previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
a) O Judiciário paulista deve respeitar o ECA, especialmente nos casos relacionados ao tráfico de drogas, em que é vedada a imposição de medida socioeducativa de internação, também de acordo com o entendimento do STJ exposto na Sumula 492.
b) As unidades de internação devem estabelecer medidas objetivas para pôr fim a casos de agressões e mortes de internos(as), facilitando a denúncia pelos adolescentes, e instituindo-se procedimentos claros para a apuração das denúncias, investindo-se em medidas preventivas.
c) Implementação efetiva e ampla, no Estado de São Paulo, da justiça restaurativa, seja no âmbito das medidas sócio-educativas, ou nos casos envolvendo maiores de 18 anos.
d) Desvincular a ação policial das políticas dirigidas a usuários de drogas, dando fim ao tratamento do tema como “caso de polícia” e investindo no fortalecimento da rede pública de saúde, com maior acesso à informação e com atendimento de dependentes realizado prioritariamente em meio aberto. 6. Municípios do Estado de São Paulo devem promover o desarmamento das Guardas Civis Metropolitanas, baseando seu trabalho nas diretrizes da segurança comunitária e preventiva, protegendo as populações mais pobres.

A Campanha recebe assinaturas de apoio de organizações, redes movimentos e grupos organizados.

Para fazer sua adesão entre em contato com juventudenegravive@gmail.com ou pelo telefone 3151-2333 ramal 117.

Colabore para a preservação da vida e o fim do preconceito!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Novembro - Mês da Consciência Negra

Confira aqui o calendário com a programação do 20 de novembro por todo o país

Fonte: Seppir
O 20 de Novembro é feriado em cerca de 780 cidades brasileiras. Baixe o arquivo com a lista mais atualizada.

(Caso queira contribuir enviando a programação da sua localidade, envie por e-mail para carmen.costa@seppir.gov.br)

Acre
Alagoas
Amapá
Amazonas
Bahia
Ceará
Distrito Federal
Espírito Santo
Goiás
Maranhão
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Minas Gerais
Pará
Paraíba
Paraná
Pernambuco
Piauí
Rio de Janeiro
Rio Grande do Norte
Rio Grande do Sul
Rondônia
Roraima
Santa Catarina
São Paulo
Sergipe
Tocantins

sábado, 20 de outubro de 2012

Viva a Diversidade e a Oportunidade de Afrodescendents com o Ciência sem Froteiras!

A
 
Assine o abaixo assinado para que haja maiores oportunidades para os negros!
Clique Aqui


A sorte do mendigo branco num país que vira a cara para os mendigos negros

Denise Diáspora: "Publicado por Revista Babel em 17 de outubro de 2012 em Sociedade •
Robson Fernando de Souza, no blog Consciência*.
"


Uma história em que pobreza, padrão eurocêntrico de beleza e cultura racista se chocam vem movimentando a internet. Um mendigo fotografado em Curitiba está sendo assunto em todo o Brasil, por ser um branco de olhos azuis “mas” ter sido castigado pela pobreza mendicante. Quando sabemos dessa novidade e a comparamos com a vida de milhares de outros mendigos pelo Brasil, percebemos o quanto a cultura brasileira ainda é muito impregnada de racismo.
O mendigo branco, cujo nome ainda não foi revelado, vive nas ruas de Curitiba e posou para a foto desejando “ser colocado no rádio” para ficar famoso. A fotografia foi posta no Facebook e agora campeia pelo Brasil inteiro, chamando atenção de mulheres e homens.
Ora é considerado “lindo de morrer”, com muitas mulheres querendo namorá-lo e abrigá-lo encantadas com a beleza dele; ora vem sendo candidato às passarelas da moda, como o modelo “dos sonhos” das grifes; ora tem sua mendicância posta em dúvida principalmente por ser um branco de olhos azuis, parecido demais com um europeu para ter sua pobreza reconhecida. As opiniões convergem em sua maioria a um ponto: ele é “lindo” demais para continuar mendigo.
E enquanto isso, no mesmo Brasil, inclusive na mesma Curitiba, milhares de negros e pardos padecem de miséria igual ou pior, mas por sua vez permanecem tratados como rejeitos da sociedade, como seres dignos de nada mais do que pena ou virada de rostos. Muitos ainda clamam pela mídia, por um pouco de atenção e humanitarismo, e tudo o que conseguem são poucos minutos na TV ou no rádio, algumas doações e, com sorte, uma assistência de alguma ONG de assistência social ou do órgão oficial de serviço social da prefeitura.
Mas praticamente nunca são abraçados pelo padrão cultural de beleza dominante no país, tornados celebridades instantâneas em função de sua aparência física e alçados a modelos “sarados” e adorados.
É aí que começamos a pensar: se fosse um negro de fortes traços africanos ou um mulato, seria prontamente rejeitado em sua demanda de “ser colocado no rádio” ou receber ajuda humanitária, empregatícia e/ou habitacional de algum político ou empresa. Não chamaria a atenção de virtualmente ninguém na internet fora algumas meias-dúzias de moças ou rapazes que gostam da beleza negra.
Seria apenas mais um entre milhares de mendigos que vagam pelos centros das cidades do Brasil, sua foto seria com desdém pela sociedade, e ele voltaria, logo após a fotografia, às ruas para ali viver por tempo indeterminado, senão para sempre.
Em outras palavras, para nossa sociedade, não é normal ver em mendicância e miséria um branco de aparência europeia. Para ela, brancos merecem muito mais do que isso. Mas, por outro lado, negros nas ruas pedindo esmolas e implorando por dignidade é considerado algo mais que normal. É tradição já.
Por que eles merecem ser alçados a modelos a serviço da alta costura? Que se virem, vão trabalhar, procurar um emprego, correr atrás da escola aonde não foram na infância – assim pensa grande parte da sociedade que está agora se compadecendo com o pedinte eurodescendente.
Observando a história e seu contexto, percebemos que a grande sorte do mendigo ainda anônimo foi ser branco de olhos azuis, ter um forte fenótipo eurodescendente – e talvez ser até mesmo um imigrante europeu desabrigado. Sua beleza caiu nas graças do povo, seu nome será revelado a qualquer momento, e agora ele está tendo seu momento de fama e poderá virar um modelo a encantar as grifes e as pessoas que apreciam a beleza masculina.
Se fosse negro, sendo ou não um imigrante, seria considerado “feio”, rebaixado a apenas “mais um” e continuaria visto como um mero rejeito a ser tratado como lixo pela sociedade, pelo Estado e por seu braço violento, a polícia.
A verdade é que o sujeito está prestes a subir na vida não tanto por acaso, talento ou esforço. Mas sim porque nossa sociedade é racista e eurocêntrica e, ao mesmo tempo que vira a cara para negros em situação de miséria, compadece de brancos que estão no mesmo estado. Afinal, ver afrodescendentes pedindo esmola e padecendo nas ruas é “normal”, mas brancos de olhos azuis considerados “bonitões”, não.
Se os brasileiros parassem de achar normal haver negros em miséria nas ruas e começassem a apreciar o padrão de beleza deles, passaríamos a ver as passarelas lotadas de ex-mendigos, fazendo companhia profissionalmente com o curitibano. Este sequer se tornaria a celebridade instantânea que se tornou.
Mas se isso não acontece – e, ao invés, a miséria negra é tratada com banalidade –, é porque o racismo, destacadamente em suas vertentes social e estética, continua imperando forte e fazendo os brasileiros de todas as cores acharem brancos melhores que negros apenas por terem pele, cabelo e olhos claros.
*Título original: A sorte do mendigo branco num país que vira a cara para os mendigos negros
FONTE: http://www.revistababel.com.br/a-sorte-do-mendigo-branco/

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

sábado, 6 de outubro de 2012

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

GRIOT: Vamos "brincar" de MARACATU, COCO, JONGO, CIRANDA,...


Vamos "brincar" de MARACATU, COCO, JONGO, CIRANDA, REIS DE BOIS e outros parangolés?


GRIOT pesquisa, difusão e memória em tradições brasileiras está procurando pessoas para fazer MARACATU, COCO, JONGO, CIRANDA, REIS DE BOIS e outros parangolés, em Arraial Do Cabo e região. Em Cabo Frio com os alunos na rede pública já tá rolando... Quem quiser participar desta proposta, POR FAVOR ENTRA EM CONTATO CONOSCO, E VAMOS "BRINCAR"!

griot_culturapopular@hotmail.com
http://coletivogriot.blogspot.com.br/
Tel.: (22) 9953.1204

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Instituto África Vivia inicia Programa de Atividades "Viva a África!!!"

É um programa com uma série de cursos e capacitações,
A realização é na Rua Luis Góis, 1724  - Vila Mariana - São Paulo/SP :


Curso de Percussão Africana - Djembês e Dununs (iniciante e intermediário)
Curso de Biomúsica Sem Fronteiras - Desenvolvimento Humano

Vivências de Biomúsica - Qualidade de Vida
Círculo de Tambores - Integração
Construção de instrumentos - Capacitação

Dias disponíveis Quartas e Sextas !!!

Maiores informações e inscrições:

institutoafricaviva@gmail.com
tel 11 996-711-477

domingo, 2 de setembro de 2012

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONOMICO PARA AFRODESCENDENTES NO MUNICIPÍO DE SAO PAULO

De segunda a quinta-feira, de 03 a 06 de setembro de 2012

Objetivo: Discutir o papel do Poder Público e da Iniciativa Privada nas relações com empresários e empreendedores afrodescendentes.


Público alvo: Empresários e empreendedores, profissionais liberais afrodescendentes, e demais interessados no tema.

Inscrições: São gratuitas e feitas pelo telefone (11) 3113-9745 / 3113-9750 


Conferência Magna:

Mr Howard Anthony Regusters – Cineasta / Washington-DC

Ms Alison Claire Moses – Consultora do Banco Mundial / Washington-DC


PROGRAMAÇÃO PROPOSTA

DIA 03/9/2012 Câmara Municipal de São Paulo – Auditório Prestes Maia 
09h30 -  Credenciamento
10h -  Solenidade de Abertura
11h - Conferência Internacional: 
Mr Howard Anthony Regusters 

• Sobre a Terra Prometida – O Movimento Negro Americano e a Construção de Estratégias para o fortalecimento econômico dos afroamericanos e das mulheres negras.

Ms Alison Claire Moses

• Reflexões sobre a Mulher Negra nos Estados Unidos e no Caribe - O fortalecimento da Autonomia Econômica e Social no Século XXI.

Sueli Carneiro - Geledés

Mediadora: Maria Aparecida de Laia - CONE

Dia 04/9/2012 Associação Comercial de São Paulo - Rua Boa Vista, 51 – 11º andar 

14hs 

Palestra: Papel do Poder Público e da Iniciativa Privada no Desenvolvimento Econômico dos Empresários e Empreendedores Afrodescendentes

Guilherme Narciso de Lacerda - BNDES/RJ

Anderson Brito Pereira - (Coord. De Raça da Comissão de Igualdade de oportunidades de Gênero, Raça e Etnia e de Combate à Discriminação – CIGO / MTE 

Tito de Oliveira – Secretário Adjunto da SEMDET

Antonio Ambrósio Amaro – Assessor de Gabinete da Secretaria Especial do Microempreendedor Individual de São Paulo

Luiz Augusto de Souza Ferreira – Presidente do São Paulo Confia

Edimar Tobias da Silva – Escola de Samba Vai-Vai

Ailton dos Santos Ferreira – SEMUR/BA 

Debatedor: Prof Dr Hélio Santos

Mediador: Umberto Correa de Brito - INTEGRARE 

15h30

Palestra: Impacto da População Afrodescendente no Desenvolvimento da Economia

Dr Juarez Xavier – UNESP

Wânia Sant’Anna – Petrobrás/RJ

Bruno Quick Lourenço de Lima – SEBRAE Nacional

Washington Lúcio Andrade – Diretor Portal Áfricas

Adriana Barbosa – Feira Preta

Debatedor: Prof Dr Basilele Malomalo –

Mediador: Laurinda Candido de Araújo – Coordenadoria das Subprefeituras

17h

Palestra: Experiências de Empoderamento Econômico dos Paises Africanos, Estados Unidos e do Brasil.

Mmaikeletsi Dube - Cônsul Geral da República da África do Sul

Mateus Barros José – Ministro e Representante Comercial de Angola 

El Hadji Abdoul Aziz Ndiaye – Embaixador da República do Senegal 

Rick de Lambert –Adido Comercial do Consulado dos Estados Unidos 

Gerard Scerb – Cônsul Honorário da República do Mali

Rui Mucaje – Diretor Financeiro da AFROCHAMBER

Prof Boubakar Sanfo - Diretor de Desenvolvimento Pedagógico -Class TRaining
Diallo Augustin Cavour - Gerente Comercial da Class Training

Debatedor: João Benício - IBADA

Mediador: João Carlos Borges Martins – Presidente do CEABRA 


05/9/2012 Associação Comercial de São Paulo - Rua Boa Vista, 51 – 11º andar

14h

Palestra: Desafios para a Regulamentação do Art.IV- inciso 1 do Estatuto da Igualdade Racial.

Mário Lisboa Theodoro - Secretário Executivo da SEPPIR

Edna Roland – Coordenadoria da Igualdade Racial de Guarulhos

Ailton dos Santos Ferreira – SEMUR/BA 

Prof Dr José Vicente – UNIPALMARES

Debatedor: Prof Dr Ivair Augusto dos Santos 

Mediador: Prof Dennis de Oliveira – USP SP (a confirmar)

15h30

Palestra: Incorporação dos órgãos de classe patronal e dos micro-empreendedores no Desenvolvimento Econômico dos Afrodescendentes

Dr Daniel Teixeira - Coordenador de Projetos do CEERT


Ramatis Jacino – Presidente do INSPIR

Jorgete Lemos – Comitê de Responsabilidade Social – CORES da FIESP

Abram Szajman - FECOMÉRCIO

Murilo Portugal - FEBRABAN

Paulo Jabur Maluf - COLOMBO

Debatedor: Michael Haradom - FERSOL

Mediador: Cleonice Caetano Souza - SCSP

17h

Palestra: Apresentação de empreendimentos bem sucedidos sob o comando de Empresários Afrodescendentes

Helder Dias – HDA Models

Adriana Barbosa – Kultafro / Feira Preta

Renata Aparecida Felinto dos Santos – Cubo Preto

Sandra Camposs e Pedro Neto – Campomare Produções

Ivan Renato de Lima – Sahck Consultoria / Implantação ISO 9000 

Edison Araújo – Black Time

Debatedor: Maurício Pestana – Pestana Artes

Mediador: Cláudia Patrícia de Luna – Luna Advogados

06/9/2012 Associação Comercial de São Paulo - Rua Boa Vista, 51 – 11º andar

09h às 14h

Workshop: “Relatório sobre Diáspora e estratégia de fortalecimento de empreendedores afro – brasileiros”.

Ms Alison Moses – Consultora do Banco Mundial

Prof Dr Hélio Santos 

Prof Dr Ivair Augusto dos Santos

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Acompanhe o mapeamento que a Educafro fez das 129 instituições públicas de ensino superior com sistema de cotas

A ONG Educafro criou uma ferramenta para estudantes de todo o País pesquisarem as instituições de ensino superior que adotam algum tipo de cota em seus processos seletivos. O levantamento é especialmente útil porque neste sábado, 7, começam as inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que unifica a oferta de vagas em escolas públicas para quem prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
No site da entidade (http://www.educafro.org.br/), o vestibulando poderá navegar por um mapa interativo do Brasil. Ao clicar nos Estados, encontrará a lista de instituições com alguma política de reserva de vagas. A ferramenta reúne estabelecimentos federais, estaduais e municipais. Também é possível saber o ano de implantação das cotas em cada unidade, como funcionam os sistemas e os atos administrativos que deram origem ao acesso restrito.
A Educafro mapeou 129 instituições com cotas. A maioria fica na Região Sudeste - só no Rio, 17 têm reserva de vagas. Na outra ponta vem o Centro-Oeste, com 10 estabelecimentos. O Estado cujas escolas mais separam cadeiras é o Paraná: 18.
Para o presidente da Educafro, frei David Raimundo dos Santos, o número de estabelecimentos com cotas representa uma “grande vitória em pouco tempo”. Ele lembra que a primeira instituição do País a adotar reserva de vagas foi a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), em 2003. “De lá para cá, reitores sérios tomaram as rédeas para garantir um país mais igual”, diz.
Sisu

As inscrições para as 108.552 vagas disponíveis no Sisu devem ser abertas nas primeiras horas do sábado.
Algumas instituições participantes separam parte das cadeiras para cotistas. Assim, em parte dos cursos haverá dois tipos de disputa: ampla concorrência e ações afirmativas. O candidato deverá, no momento da inscrição, optar pela modalidade de acordo com o seu perfil.
Durante as duas chamadas, o aluno que se inscreveu pelas ações afirmativas vai competir com outros que fizeram a mesma escolha. E o sistema selecionará, no grupo, aqueles que tiveram as melhores notas no Enem 2011. O Sisu está aberto para consultas às vagas no endereço http://sisu.mec.gov.br/.
PARA ENTENDER

Universidades têm autonomia
As instituições de ensino superior têm liberdade para criar seus próprios sistemas de cotas. Entre os vários tipos de ações, há reserva de vagas para negros, indígenas, ex-alunos de escolas públicas e filhos de policiais mortos em serviço.
Tramita no Congresso um projeto que prevê 50% das vagas em universidades para negros e para quem estudou na rede pública de ensino.
O assunto já chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que deve se pronunciar neste ano sobre a constitucionalidade da reserva de cadeiras para negros e indígenas na Universidade de Brasília (UnB). As cotas são apenas um tipo de ação afirmativa.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Gestão de sítios históricos é tema de debate no segundo dia do Seminário Internacional

Dando continuidade ao Seminário Internacional “Herança, Identidade, Educação e Cultura: gestão de sítios históricos ligados ao tráfico negreiro e à escravidão”, as Reuniões Técnicas dos profissionais atuantes na preservação e na promoção de sítios e lugares de memória ligados à escravatura que aconteceu, na última terça-feira(21), contou com a presença de especialistas da África, das Américas, do Caribe, do Oceano Índico e da Europa.
Os especialistas africanos ressaltaram a dificuldade em repassar aos visitantes dos sítios históricos ligados a verdadeira história da escravidão. O diretor de Educação dos Museus de Gana e Conselho de Monumentos (GMMB), Stephen Korsah, ressaltou que a questão se torna ainda mais complicada, porque os africanos têm uma versão sobre a escravidão, enquanto os europeus e os livros de história apresentam outras versões. “Conhecer a verdadeira história é complicado, por isso, decidimos então mesclar e utilizar o que há nos livros e nos relatos orais da população”, contou.
Ao apresentar dados e fotos do Castelo de Cape Coast, uma fortificação construída em Gana por comerciantes suecos para o comércio de madeira e ouro e, utilizada mais tarde para o comércio transatlântico de escravos, Korsah falou sobre os desafios de conservação e preservação dos sítios de memória.
“São inúmeros os desafios, mas o nosso departamento cuida disso e faz parte das nossas boas práticas fazer o nosso melhor. Acreditamos que os alunos e a população local são agentes de disseminação, porque crescem ouvindo e vendo o trabalho que aplicamos. Por isso, temos certeza que no futuro, poderão transmitir esse conhecimento e passar para frente”, disse.
O historiador Charles Samson Akibode acredita que além da preservação, é preciso se preocupar com a melhoria de vida da população dos sítios históricos. “Não podemos falar de turismo e riqueza se não pudermos falar em melhorar a vida dos moradores”, defende. “Ao capacitar e incentivar a busca pelas raízes, nós os inserimos no processo de conversação histórica necessária para manter viva a memória desses lugares”, completou.
Akibode compartilhou com os participantes as práticas utilizadas em Cidade Velha, primeira capital de Cabo Verde e declarada como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, em 2009. Para ele, o modelo de gestão que melhor funciona em Cidade Velha é o participativo. “O modelo piramidal, onde as gestões vêm de cima para baixo, não é o ideal”, analisa. “Levamos em conta as preocupações da comunidade e, dessa forma, conseguimos envolvê-la em todas as decisões. Assim, se sentindo parte de tudo o que a Cidade é, essa população garante que a conversação história seja mantida”, afirma.
Paul Lovejoy, diretor do Harriet Tubman Institute for Research on the Global Migrations of African Peoples (Harriet Tubman Instituto de Pesquisa sobre as migrações globais dos povos africanos), surpreendeu os participantes ao falar da escravidão no Canadá. Segundo o especialista, as pessoas não pensam no Canadá quando pensam nos afrodescendentes e em escravidão, mas o Canadá tem uma história muito efetiva no que se refere ao tema. “O Canadá abrigou cerca de 20 mil afrodescendentes que escaparam da escravidão ou fugiram dos Estados Unidos, porque tinham medo de serem reescravizados, mesmo já sendo libertos”, contou.
Lovejoy explicou que uma das preocupações canadenses é sobre como fazer com que os cidadãos aprendam o impacto da escravidão no mundo moderno e como fazê-los entender que escravidão é um crime. Para isso, o Canadá possui um programa de rastreamento de sítios da experiência afro-canadense, onde o reconhecimento dos lugares de memória é realizado em total cooperação com as comunidades.
Luís Rocca Torres, representante do Peru, manifestou sua opinião e ressaltou a importância da promoção dos sítios de memória dos peruanos. A ideia é reunir o maior número possível de sítios e posteriormente submeter sua candidatura para avaliação da Unesco. 
O Uruguai atua em parceria com o Paraguai e a Argentina para identificar seus sítios de memória com o objetivo de promover, preservar e valorizar o legado da ancestralidade africana deixado em seus países.
Karla Chagas, pesquisadora do Centro de Patrimônio da Nação do Uruguai, destacou o Caserio de lós Negros, porto de entrada de escravos no país, em 1788, localizado em Montevideo  transformado em monumento em 2002, Casco Historico de Colonia Del Sacramento fundado por Portugal em 1690, Calera de las Huérfana de 1791, Oratorio de lós Correa de 1826 , característico pela forte presença da população brasileira.
Segundo a pesquisadora, a população afrodescendente do país é de apenas 10% em relação ao resto da população de origem europeia. Outro patrimônio uruguaio de destaque é candombe termo que se refere à danças e ritmos praticados pelos negros no Uruguai baseado nos tambores chamados de tangó ou tambó nome também usado para designar o lugar onde realizavam as candomberas.  Essas manifestações culturais à céu aberto chegaram a ser reprimidas pelas autoridades no século XIX, e por muito tempo foram realizadas apenas em ambientes fechados, em clubes secretos organizados pelos africanos e afrodescendentes.
Representante do Haiti, Mireille Frombum afirma que as circunstâncias políticas e os desastres naturais ocorridos no país não destruíram a força do povo haitano. E exibiu fotos de um museu pertencente a sua família que foi transformado em um local de memória à serviço da história. Reconstruído a partir de ruínas, a missão principal do museu é trabalhar, sobretudo, com crianças para desenvolver a autoestima e a valorização da história do negro no país.
Mathieu Dussauge, representante da Rota do Escravo em Guadalupe é coordenador do programa Traços e Memórias inaugurado em 2010. O projeto permite conhecer melhor os sítios patrimoniais ligados à história da escravidão em todo conjunto do território caribenho. A intenção é unificar o trabalho da Unesco junto com todas as zonas do Caribe Latino e promover a  Rota da Abolição da Escravatura que visa a valorização humana.
O ministro dos Povos Indígenas e Afrodescendentes de Honduras, Luís Green Sales, fez um cumprimento em sua própria língua e chamou a atenção para a valorização das línguas, dialetos e tradições africanas. Ressaltou a importância da agenda negra no contexto sócio-cultural e político no sentido de torná-la visível àqueles que negam a sua existência. E lembrou de locais importantes como o Forte de Santa Barbara, Forte de São Fernando, Igreja das Dores, como valiosas contribuições africanas.
O evento está previsto para acabar, nesta quinta-feira (23), com o resumo das perspectivas para a instalação de itinerários de memória (educação, cultura e desenvolvimento local) e  orientações para a elaboração do guia metodológico e conteúdos pedagógicos para os módulos de formação.

PRORROGADAS AS INSCRIÇÕES do Edital de qualificação para Agentes Culturais da Juventude Negra

Foram prorrogadas, até 4 de setembro, as inscrições do Edital – Chamada Pública nº 001/2012, que fará a seleção de projetos para implantação de dez Núcleos de Formação de Agente Cultural da Juventude Negra – NUFAC.
Com objetivo de cumprir as diretrizes formuladas pelo Fórum Nacional dos Direitos da Cidadania do Governo Federal, o edital selecionará 10 (dez) propostas de órgãos ou entidades da administração pública direta e indireta federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal, instituições culturais, públicas e entidades privadas sem fins lucrativos, que tenham, entre outros requisitos, foco de atuação em cultura e educação.
Os NUFAC’s que  serão criados visam a qualificação de jovens negros e negras do ensino fundamental e médio, completo e incompleto, das classes sociais C, D e E de todas as regiões brasileiras.
Para visualizar ou imprimir a versão em PDF do Edital, clique aqui

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Os jovens negros morrem e as mulheres negras também morrem


Já faz um tempo que o movimento negro vem colocando na pauta a discussão sobre o genocídio da juventude negra, criminalização da pobreza e a política de encarceramento em massa promovida em nosso país. Debate duro, difícil, mas que é preciso ser encarado, pois é a realidade de milhares de pessoas no Brasil, incluindo mulheres, sejam as mães daqueles que foram assassinados ou as jovens negras que sofrem com abortos ilegais e inseguros.
Os mais recentes índices de violência demonstram o perfil racial dos assassinatos no país. O número de mortes de jovens negros, entre 15 e 24 anos, é 139% maior do que de brancos. Segundo o Mapa da Violência 2012, entre 2001 e 2010 o número de vítimas brancas, de 15 a 24 anos, caiu 27,5% (de 18.852 para 13.668), enquanto que de vítimas negras aumentou 23,4% (de 26.952 para 33.264). (ROCHA, Raiza. Ato denuncia o extermínio da população negra em São Paulo)
Porém não é apenas através do recrudescimento da violência policial que vemos a população negra ser exterminada nestas últimas décadas. Importante lembrar da política de esterilização promovida nas periferias, impondo as mulheres uma condição que não foi escolhida por elas e baseada no modelo americano de combate a pobreza que inclui encarceramento em massa, esterilização das mulheres negras e criminalização da pobreza. Aqui talvez o maior arauto deste modelo de extermínio da população pobre e negra seja o governador do Rio de Janeiro: Sérgio Cabral.
A esterilização ocupou lugar privilegiado durante anos na agenda política das mulheres negras que produziram campanhas contra a esterilização de mulheres em função dos altos índices que esse fenômeno adquiriu no Brasil, fundamentalmente entre mulheres de baixa renda (a maioria das mulheres que são esterilizadas o fazem porque não encontram no sistema de saúde a oferta e diversidade dos métodos contraceptivos reversíveis que lhes permitiriam não ter de fazer a opção radical de não poder mais ter filhos). Esse tema foi, também, objeto de proposições legislativas, numa parceria entre parlamentares e ativistas feministas que culminou no projeto de Lei nº 209/91, que regulamentou o uso da esterilização. (CARNEIRO, Sueli. Mulheres em movimento)
Estas nuances da política de genocídio da população negra que vemos em nosso país acabam escondidas, invisibilizadas justamente pelo fato de que quando nós mulheres negras nos organizamos para debater a categoria gênero junto ao movimento negro ou a categoria raça junto ao movimento feminista acabamos tolhidas como divisoras dos movimentos, quando na verdade é o contrário, é a tentativa de demonstrar o quão hoje a sociedade machista e racista persegue, esteriliza e mata um povo que tem cor, gênero, sexualidade e tantas outras categorias.
Não é de 2012 que vemos um recrudescimento da violência policial em nosso país e mais precisamento no estado de São Paulo, só lembrar dos crimes de maio e todo o debate sobre desmilitarização da polícia em nosso país. Além obviamente do debate sobre direitos sexuais e reprodutivos, pois as mulheres negras tem mais chances de morrer de abortos ilegais e inseguros e ao recorrer aos postos de saúde terem atendimento negado. Pois, somos nós quem mais precisamos do serviço público de saúde, que hoje está entregue a privatização e muitas vezes é gerido por organizações sociais ligadas a igrejas diversas. Somos colocadas para morrer de hemorragia, julgadas e condenadas a morte por médicos e enfermeiras, assim como os jovens negros são julgados e condenados a morte pela Polícia Militar em todo país.
Estamos em um estado no qual a cada dia são mortas 2 pessoas pela Polícia Militar de São Paulo e nada é apurado. Enquanto isso, grande parte das candidaturas a prefeitura falam em recrudescer a violência na periferia com um sorriso na cara, como se fosse resolver o problema da violência em nossa cidade assim, quando na verdade só opera um programa racista e segregatório. E, nas pontas, lá estão as mulheres, perdendo seus filhos, sendo humilhadas nos presídios e fundações casas com revistas vexatórias, sabendo que seus filhos ou filhas sofrem torturas e afins. Mas isso é ainda mais calado, para que relevar o que sofrem estas mulheres, né?
O problema é que não nos colocamos a pensar que política é essa, até porque por muitos anos essa ideologia entra cotidianamente em nossas vidas através dos programas sensacionalistas do mundo cão, como o Aqui e Agora, Programa do Ratinho, Datena e outros, ou das notícias que não passam de boletins de ocorrência escritos com outras palavras. Fomos sendo hipnotizados por uma falsa idéia de que era necessária uma política de segurança, que, para ser mais eficiente, poderia violar todos os nossos direitos, transferindo para o braço armado do Estado todos os desígnios das nossas vidas. A cada tiro no cidadão, um tiro em nossa já muito baleada Constituição.
O atual governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, quando assumiu seu primeiro mandato em 2001 reafirmou a mentalidade intervencionista, repressiva e autoritária baseada na doutrina de segurança pública dos Estados Unidos de guerra preventiva e permanente contra o terror. A política de "tolerância zero" é de guerra contra o inimigo interno, já que não estamos em guerra com outro país. Pra quem acha um exagero, já que se nomeia o atual regime que vivemos de democracia, até as estatísticas oficiais apontam que o inimigo interno é a população pobre e negra. (MANOEL, Givanildo. Mentiras, verdades e silêncio sobre a política de insegurança pública)
Se na periferia ouvimos histórias e mais histórias de mães e irmãs sobre prisões inexplicáveis, sobre desrespeito aos direitos humanos, a situação real é sempre mais difícil. O genocídio da juventude negra atinge na maioria jovens negros, mas são as mulheres negras que aqui ficam com a estigmatização, com a dor de não enterrarem seus filhos. Mas a violência, como eu disse, não nos atinge apenas quando a polícia mata um dos nossos de forma arrogante, mas também quando somos relegadas sozinhas para morrer nos hospitais. O algoz dos jovens negros é a polícia, o algoz das jovens negras é a privatização da saúde. Tudo isso servindo ao mesmo governo e a mesma ideologia racista, machista e capitalista.
Segundo matéria da Caros Amigos em dois meses morreram mais 200 pessoas na periferia de São Paulo e nas cidades satélites. Ilustração – Tributo as Mães de Maio e as mulheres de coragem do Brasil e de todo mundo" de Carlos Latuff, Maio/2011.
Basta vermos que há pouco tempo o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, empossou mais de 200 delegadxs e, pediu para recrudescer com a juventude. Isso pode ser visto em nossa periferia cada vez mais, até onde li já morreram mais de 200 pessoas nestes dois meses de "guerra ao terror" do tucanato. Mães, irmãs e filhas que perderam seus entes e muitas vezes nem sabem onde estão enterrados ou presos. E a saída ainda é matar, e se procurarem por aqueles desaparecidos durante os confrontos, a resposta é preconceito e humilhação. A culpa é da família e não de um estado que a tudo segrega e nega direitos básicos de cidadania. Coincidência com crimes da ditadura? Só pode.
O que se percebia era um trânsito entre uma ideologia da repressão política dos anos 70 (simbolizada na Escola Superior de Guerra, think tank da doutrina da ditadura militar) com a segurança pública do início do século XXI, principalmente quando os governos brasileiros eleitos em 1989, 1994 e 1998 inseriram o país na doutrina neoliberal que significou uma intensificação da concentração de renda. A lógica dos interrogatórios com requintes de tortura nas delegacias,a postura ostensivamente violenta dos agentes da PM nas ruas,a manipulação de provas, entre outras coisas,até mesmo a postura quase que institucional de justificar os atos violentos da polícia como reação à suposta resistência da vítima lembra estes períodos da repressão política. (Genocídio da Juventude Negra:Doutrina da ditadura e racismo continua firme e forte nas forças de segurança)
Estamos à margem da sociedade e para isso justifica nos retirarem a força de nossas casas, matarem nossos filhos e nos negarem acesso a saúde. Nos matam por nos odiarem, nos humilham por nos odiarem, fazem tudo por que odeiam o povo e o povo desse país é negro, mulher, LGBT e trabalhador.
Luka - Paraense radicada em São Paulo, jornalista, mãe, feminista e socialista. Graduada em Jornalismo pela PUC/SP, foi militante e coordenadora nacional da Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social (ENECOS), acompanha mais ou menos a oposição dos jornalistas, faz parte do setorial de mulheres do PSOL e é coordenadora do cursinho Guerreira Maria Filipa, em Guaianases, da UNEafro-Brasil.

Crimes motivados por intolerância ganham novo B.O.

Vítimas poderão especificar se houve motivação por intolerância racial, étnica, religiosa ou homofobia
Geledés/RioClaro

A partir desta quarta-feira, 15, vítimas que forem às delegacias do Estado de São Paulo para registrarem Boletins de Ocorrências de crimes contra a honra, agressões ou tentativas de homicídio, poderão especificar se houve motivação por intolerância racial ou étnica, orientação sexual, religião, condição social entre outros motivos. Com esta alteração será possível criar m banco de dados para mapear tais crimes e combatê-los. A ação faz parte das campanhas "São Paulo Contra a Homofobia" e "São Paulo Contra o Racismo".
A mudança terá lançamento oficial nesta tarde em evento que será realizado na Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania com as presenças da secretária da Justiça, Eloisa de Sousa Arruda, e do delegado geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro. Durante o evento será esclarecido como o preenchimento deverá ser feito a partir de agora.

Coletivo GRIOT: O GRIOT foi lá e viu... COMBOIO AO QUILOMBO SÃO JO...

Coletivo GRIOT: O GRIOT foi lá e viu... COMBOIO AO QUILOMBO SÃO JO...: Este vídeo é uma homenagem à tradição afro brasileira...  Viva o jongo, viva os cumbas! Agradecimentos especiais aos morado...